IMPUNIDADE EM ALTA NO CUANGO-LUNDA NORTE

22.03.2024

Na Lunda Norte a vida humana de pacato cidadão não tem valor, os assassinos trajados a polícia, ainda nenhum foi responsabilizado judicialmente, dizem as comunidades locais.

Por: Armando Chicoca

O assassinato de Amado João Jonassy, garimpeiro, no passado dia 13 de Março no Município do Cuango, província da Lunda Norte por um suposto agente da polícia nacional, que no interesse de apoderar-se dos meios de garimpo e diamantes que Jonassy trazia, disparou um tiro na cabeça e outro no abdômen, é uma nota repugnante nos últimos dias.

Depois da descoberta do corpo, as comunidades chamaram a polícia e recolheram o cadáver, e quando tentaram levá-lo a esquadra policial (domicílio de suposto assassino, a polícia, segundo a nossa fonte, abriu fogo para dispersar as comunidades.

Apesar da polícia ter providenciado o caixão para o funeral e comida para óbito (acto de culpa), o surgimento de um aparato policial da PIR no cemitério com ameaças, trouxe revolta popular com polícias que no dia do funeral (15), e por via disso, mulheres, crianças e jovens em pleno cemitério e a meio de cânticos na língua Tchokwé, recorreram às pedras para dispersar os agentes da polícia de intervenção rápida, devidamente armados que se faziam presentes no cemitério.

Na sequência deste incidente, a polícia atropelou uma criança de 13 anos de idade que acabou de morrer terça-feira.

O julgamento que deveria acontecer segunda-feira contra os presumíveis cinco (5) agentes da polícia, indiciados no crime do assassinato de Jonassy, segundo as nossas fontes no Cuango, não chegou a realizar-se.

Jordan Mwacambiza, defensor dos direitos humanos no Cuango, deixou um recado ao Presidente João Lourenço, para mandar parar estes actos de terror na Lunda Norte.

“Nós não somos pacaças na selva para sermos caçados e abatidos todos os dias pela polícia nacional, que devia proteger os cidadãos e os mata. Somos humanos criados por Deus e queremos respeito”, reagiu.

Alex, da Justiça e Paz, uma organização filantrópica da Igreja Católica no Cuango, disse que os polícias de forma isolada com o propósito de extorquir dinheiro às pessoas que vêm das lavras e garimpo fazem emboscadas nos caminhos. A via por onde Jonassy foi abatido é a que os garimpeiros passam normalmente.

“É repugnante o que tem acontecido aqui, os policiais sem vergonha revistam inclusive no ânus a procura do diamante. Se garimpar o diamante é crime, porque legalizaram os contrários à compra e venda dos diamantes? E nenhum destes criminosos é julgado pelo tribunal, matam pessoas e continuam impunes”, reagiu.

“A polícia nas Lundas é inimigo do povo, a PGR e os Tribunais nas Lundas, apenas sabem julgar activistas e o povo que reclama pela justiça social e os assassinos impunes”, reagiu Teresa Cassueta, que disse ter sido violada por dois agentes da polícia na presença do marido, quando regressava das lavras.

Procurou-se ouvir o Comandante Provincial da Polícia na Lunda Norte, o Comissário Gérson Manuel, igualmente Delegado do Interior, sem sucesso.

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