NFV FORA D` HORAS 29-03-2024

30.03.2024

Noticiário NFV, edição de sexta-feira 29 de Março de 2024 com os seguintes tópicos:

1 – Governador insatisfeito com estado actual do hospital provincial materno infantil do Namibe;

2 – Moradores dos bairros Saidy Mingas 2 e Valódia, têm problema de água mais perto de solução;

3 – Peixe escasseia na comuna da Luciria e pescadores de mãos atadas;

4 – Conselho provincial da Juventude no Namibe preocupado com jovens desempregados;

5 – Huíla: Veteranos contam  bom e mau que recebem.

 

Somos à rádio NFV, coordenação e supervisão de Armando Chicoca, edita Esmael Pena, produção de Domingos Marques, eu sou a Ester Culembe, com apoios do NED e da Open Society.

 

O governador provincial do Namibe, está preocupado com o que constatou nesta quinta-feira 28, durante a visita que efectuou ao hospital provincial materno infantil, tendo ordenado as estruturas afins no sentido de encontrar soluções urgentes.

Archer Mangueira, Governador da província do Namibe

“Nós estamos com device de camas aqui no hospital, e foi constatação nossa durante a visita que se trata de uma realidade, portanto há crianças que não estão em boas condições internadas aqui. O segundo tema que também anotei, e que digamos que vem confirmar o que foi referido no encontro que tivemos com os trabalhadores do sector da saúde, está relacionado com o estado físico de infraestruturas, com algum destaque para o banco de urgência. O terceiro foi referido pelo director clínico, e que de alguma forma afecta as soluções a serem encontradas com o tratamento das crianças, tem haver com o estado com que elas vêm aqui parar, de anemia severa, desidratada, fazendo pressão ao banco de sangue, embora tenha causas externas, é uma situação igualmente grave que deve ser vista. O quarto tem haver com ação preventiva para a redução dos casos de malária, são preventivas no sentido de tomarmos uma série de medidas, que possam de facto evitar o elevado número de casos nos hospitais, concretamente aqui no Materno Infantil. A questão do refeitório, visitamos, está em boas condições mas o tema tem haver com os produtos no refeitório. Por último, a necessidade de reforçarmos o profissionalismo e o rigor por parte dos funcionários, e todos colaboradores daqui do Materno Infantil, independentemente da espacialidade, eu sei que já há algumas medidas em curso da parte do gabinete provincial da saúde, da própria Direcção do hospital para a resolução de alguns desses problemas, mas vamos fazer de forma organizada”.

 

Archer Mangueira constituiu na ocasião, uma comissão multissectorial que no prazo de dez dias deverá gizar um plano sustentável, para solução dos problemas daquela unidade hospitalar.

Archer Mangueira, Governador da província do Namibe

“Opções temos que encontrar e identificar imediatamente para colmatar o défice de cama, quando digo imediatamente tem que ser para hoje, não é para amanhã ou para depois de amanhã mas há outros temas que requerem que se faça uma abordagem multidisciplinar para que as soluções de facto impactem de forma sustentável na solução dos problemas do hospital então eu ia pedir que o vice-governador Abel trabalhasse com o director provincial da saúde o delegado provincial das finanças por causa da execução orçamental também com a sua colega das infraestruturas, com administrador municipal de moçamedes por causa das acções de prevenção eventualmente o director do GEP, esses colegas para prepararem um conjunto de medidas num prazo não superior a dez dias, medidas que sejam a curto, médio e longo prazo, sem prejuízo disso, não só vão identificar essas medidas mas como os meios para os concretizar a nível do vice-governador deve avançar já com a solução do tema das camas, e outro tema que também deve ser abordado no âmbito deste planos de medidas de que forma é que podemos tornar o clube salva-vidas mais operativo para que de facto tenhamos menos pressão no banco de urgência”.

Governador provincial do Namibe Archer Mangueira, insatisfeito com o estado actual do hospital provincial Materno Infantil.

 

A comuna da Lucira município de Moçâmedes província do Namibe, que em tempos idos fora um dos maiores centros pescatórios do país, actualmente os pescadores artesanais queixam-se da escassez do pescado, o seu ganha pão. Os homens do mar apontam as mudanças climáticas, e as águas das chuvas como as causas da captura, numa altura em que os custos do material de pesca é insustentável.

“Praticamente a Lucira de ontem já não é a mesma de hoje, antigamente a produção aparecia muito, mas nesse momento a produção está muito escassa, não está mesmo aparecer, o peixe está muito difícil, ninguém sabe se é a chuva, ou falta de oração, na verdade eu acho que é mesmo falta de oração, o povo tem que orar muito, e pedir à Deus para que possa abençoar o mar para que haja produção. Nossa produção depende muito, podemos pescar umas 20, 30  por dia, isso varia.

Anos atrás o mar pagava um pouco, mas neste tempo as coisas estão difíceis, porque o peixe não aparece. Atualmente no serviço, na malhadeira, já nem uma caixa conseguimos pescar, com o dinheiro que eu arrecado, nem dá para comprar alguma coisa para as crianças”

Pescadores da comuna da Lucira

Peixe escasseia na comuna da Lucira município de Moçâmedes província do Namibe.

 

O problema habitacional, desemprego, a delinquência juvenil e a vandalização de bens públicos, são dentre muitas situações que preocupam o conselho provincial da Juventude no Namibe. A inquietação foi manifestada pelo Secretário daquela instituição, Stévio Savazuca, em declarações à rádio pública local.

“Temos muitas preocupações, preocupações estas que tem que haver com a falta de emprego por parte da da juventude, de igual forma a questão de habitação por parte dos nossos jovens, e outros temas que sejam virados o nível de criminalidade, temos registado a nível da nossa província, índice de criminalidade que preocupa-nos bastante, a forma que muitos dos jovens têm estado a dirigir os meios, me refiro concretamente as motorizadas, não só a conduzir mas também as pessoas que são rebocadas”.

Stévio Savazuca, Secretário do Conselho provincial da Juventude no Namibe

Secretário do Conselho provincial da Juventude no Namibe, Stévio Savazuca.

 

Os moradores dos bairros Saidy Mingas 2,Valódia e Bagdá na cidade de Moçâmedes província do Namibe, poderão ver resolvido nos próximos seis meses, o problema da falta de água com que se debatem há mais de uma década. Arrancou nesta quinta-feira 28, do projecto de construção da rede de abastecimento de água e ligações domiciliares na cidade de Moçâmedes, orçado em 3 milhões, 889 mil e 83 dólares, o equivalente a um bilhão 884 milhões, 398 mil e 875 Kwanzas. Take, responsável do projecto falou dos custos e o horizonte temporal.

“O preço estimado do projecto, é inicialmente de 3.344.889.83 dólares americanos, a transferência em kwanza seria por volta de 1.884.398.875.22 kwanzas. O projeto também já foi anunciado a muito tempo. Período inicial do projecto, tanto desenho como a fase de obra, tinham se planificado em 18 meses, mas nós estamos conscientes de que a fase do desenho prolongou-se mais do que era devid, portanto, nós temos apenas 6 meses para finalizar o projecto. Compreendemos que há muita pressão, nós vamos trabalhar o mais rápido possível para garantir que neste período de tempo, possamos conseguir fazer as instalações das tubagens”

Take, responsável do projecto de construção da rede de abastecimento de água, e ligações domiciliares na cidade de Moçâmedes

Mais adiante explicou:

“O projecto é fiscalizado pela empresa Alemã Gal Frai Engenharia, esta empresa é responsável pelo projecto e pela construção, também outras financiadoras do projecto, entre as quais, o Banco Mundial de Angola. O componente principal do projecto é subministrar água para as vivendas do bairro Saidy Mingas 2 e Bagdá, o subministro das águas, vai ser feito através da rede já existente da Centralidade do 5 de abril. O circo vente vai ser nesta área para fazer conexão, subministrar as águas  no Saidy Mingas e Valódia. Devido ao estudo feito nessas áreas, descobrimos que há uma percentagem muito baixa de viventes  que têm acesso a água. O Saidy Mingas 2 tem 16% de vivendas que têm acesso a água, enquanto o Valódia  tem 8%. A nossa missão é garantir que o tanto Saidy Mingas como Valódia, recebam água a 100%. O nosso projeto quando foi assinado pelo Banco Mundial, o plano inicial era a construção de 70 quilómetros de tubagem de água, e também fazer conexões a seis vivendas, mas depois do contrato da revisão dos seus conteúdos, foi revisado que a quantidade final instalada é mais de 6.000.000 quilómetros ao invés de 7.000.0000, e também as vivendas ao invés de 6.000kz é baixada para 5.400”.

Take, responsável do projecto de construção da rede de abastecimento de água e ligações domiciliares na cidade de Moçâmedes

 

Cipriano Meno da comissão de moradores do bairro Saidy Mingas 2, onde foi lançado o projecto, congratulou-se com a implementação desta acção, que segundo disse, marca o fim do consumo de água imprópria e de despesas avultadas com o precioso líquido.

“Este projecto é muito importante para nós como moradores pois irá diminuir os custos que temos tido na aquissção da água, sabemos que é um investimento de mais de 3 milhões de dolares e haverá necessidade do Estado recuperar esse dinheiro. Nós estamos aqui desde a criação do bairro isso em 2008, e se fizermos a conta estamos a mais de 10 anos, e muita gente está agastado porque investem muito dinheiro na compra da água no mercado informal, que em contrapartida é desidratada e sem qualidade, mas com o projecto aqui implementado o quadro se inverte, o que significa que teremos água com qualidade, custo acessivel abaixo dos 300 kzs, e os dois lados saiem a ganhar”.

Cipriano Meno, membro da comissão de moradores do bairro Saidy Mingas 2

 

O governador da província do Namibe, Archer Mangueira, disse que o projecto vai atender uma das principais necessidades da população do município de Moçâmedes.

Archer Mangueira, Governador da província do Namibe

“Esse é um projecto que vai certamente atender uma das principais necessidades da nossa população do municipio de Moçamedes, particularmente nos bairros Saidy Mingas, parcialmente 5 de Abril, a Centralidade do vairro Bagdá, Valódia, e que consiste não só no sistema de captação e distribuição, mas também das ligações domiciliares fazendo com que a água chegue as residências dos nossos populares. É um projecto que vem complementar o outro que está em curso, este está totalmente financiado pelo Governo angolano, projecto de responsabilidade local que atende toda a área da Bela Vista, com esses dois projectos vamos certamente minimizar os problemas que ainda temos, de abastecimento de água as nossas populações, um bem essencial para as nossas vidas, para a nossa saúde, e por conseguinte vai certamente contribuir para o melhoramento da vida das pessoas, como vocês tiveram a oportunidade de acompanhar, fui fazendo já a minha pressão para que o tempo de execução seja menor do que está contratualmente previsto, eles prevêm executar em 18 meses mas certamente vão poder fazer em pouco tempo, e aí peço ao presidente do conselho de administração da empresa de água e saneamento do Namibe, para fazer também o seu papel enquanto dono da obra, porque precisamos resolver este problema o quanto antes, é um compromisso nosso, do Governo central, do executivo local e gostariamos que fosse cumprido o quanto antes”.

Arrancou nesta quinta-feira 28, o projecto de construção da rede de abastecimento de água e ligações domiciliares na cidade de Moçâmedes, que vai beneficiar os bairros Saidy Mingas-2, Valódia e Bagdá.

 

Antigos combatentes e Veteranos da Pátria ainda atirados a sua sorte.

Teodoro Albano da Voz de América no Lubango.

João de Deus Dala lidera a cooperativa agrícola 15 de Janeiro, que reúne 29 associados no município da Matala. Depois de receber sementes de milho e massango em plena época agrícola, lembra que é preciso ir além da agricultura de sequeiro, que depende totalmente das chuvas.

“Precisamos agora de um terreno regadio que facilite que, em todas as épocas, possamos trabalhar a terra e pouco a pouco vamos andando”, afirmou.

Elias Sangombo é deficiente de guerra e acaba de receber das autoridades uma motorizada de três rodas que vai empregar no serviço de transporte de mercadorias. “Esta moto vai mudar a vida da família e a minha em particular”, disse.

Silvestre Martins, também antigo combatente, recorda com tristeza a forma como são conotados quando tentam reivindicar melhores condições de vida. Dizem “que o antigo combatente é confusionista. Mas como e porquê? Isso é triste no nosso país”, afirmou.

Francisco Araújo, outro antigo militar, revela que a luta agora é pela sobrevivência. “Eu, deficiente de guerra, com uma perna amputada, estou a usar prótese para levar sacos de cimento. Quando aqueles que têm duas pernas não conseguem eu digo que não estou a sobreviver estou a ajudar os outros a viver.”, conta.

O governo, que reconhece a contribuição destes homens e mulheres na libertação do país, diz ter políticas públicas traçadas para acudir às dificuldades vivenciadas por este grupo vulnerável, mas que encontram entraves na sua implementação devido à actual conjuntura económica.

A directora do gabinete provincial dos antigos combatentes e veteranos da pátria, Verónica Rito, acredita, ainda assim, em dias melhores.

“Devemos ganhar a cultura de valorizar os apoios que nos chegam às mãos, mesmo que poucos, fazendo-os render ou crescer para que amanhã seja também a vez do outro e assim construir um país onde cada angolano se sinta bem”, concluiu a responsável.

Peça de Teodoro Albano, correspondente da Voz da América no Lubango

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