AGRICULTURA, BASE DECISIVA E INDÚSTRIA FACTOR DETERMINANTE

12.04.2024

Não se combate à fome olhando para o Porto, olhando na importação de tudo, conforme previa em 1978, Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola.

Por: Armando Chicoca

Está máxima lançada por António Agostinho Neto, o primeiro presidente da República de Angola, (não eleito) em 1978, ano consagrado de agricultura, foi relembrado no Mwangolê as quartas-feiras pelo Namibe Fala Verdade, 10 de Abril de 2024.

António Agostinho Neto, primeiro Presidente da República de Angola

Agostinho Neto, naquela época de 1978, preocupado com a fuga de quadros para Portugal e noutros países, África do Sul, meses antes da independência Nacional a 11 de Novembro de 1975, além da mobilização da população para as lavras, voltarem a sorrir e os operários assegurar as fábricas abandonadas por técnicos portugueses, também era preciso mobilizar o país para formação de quadros visando repor os quadros portugueses, e mesmo alguns angolanos que previam o conflito armado em Angola, com os três movimentos de libertação de Angola (FNLA-MPLA-UNITA), doze meses depois consagrando ano de formação de quadros, o que pressupõe que impunha-se naquela altura o começo da vida do país do zero.

 

Este tema foi refletido no debate do “Mwangolê Fala Verdade”, com o Advogado David Mendes.

No Namibe por exemplo, há exemplos indeléveis quanto a matéria em questão. O malogrado Juíz Belchior Samuco na década 70, foi o único Juíz no tribunal do Namibe, também era procurador da República e Delegado da Justiça concomitante, por falta de quadros. António Mussungo pai do historiador Pedro Antônio Mussungo, também de feliz memória, foi oficial de diligência, escrivão do tribunal do Namibe e da PGR, bem como atendia igualmente os serviços administrativos da Delegação da justiça, com apenas único “miserável” que não passa 10 mil kwanzas.

Ambrósio Lemos, Comandante geral da Polícia Nacional

O então comandante geral da polícia nacional, Comissário geral Ambrósio de Lemos, na década 70 foi o Comandante Províncial da polícia nas províncias do Namibe, e da Huila simultaneamente.

No domínio da Agricultura, Fernando Faustino Muteca deixou recordações as populações locais, por ser um dos governantes que dinamizou a actividade do campo com exemplos práticos.

Fernando Faustino Muteca, ex-governador da província do Huambo

“Não se fazia agricultura naquela altura, em pouca dimensão com o sistema de regadio “cegonha”, era feito na Tumbalunda e Inamangando, comuna da Lucira. As cinturas verdes dos vários rios intermitentes, hoje sem espaço para mais ninguém não se fazia agricultura.

Faustino Muteca mandou vir pessoas do Huambo, Bié, Huila e Malange que sabia serem conhecedores da actividade agrícola, para junto das comunidades locais fazer o papel de escola do campo.

Faustino Muteca também tinha um espaço na cintura verde da Quipola, e aos sábados estava lá ele com a enchada nas mãos em companhia de sua esposa, isto motivou a muitos o reaproveitamento do ouro verde, tendo correspondido positivamente o Director da agricultura Camaninga, orientado e cumprido distribuir gratuitamente enchadas, catanas e semente aquém quisesse trabalhar a terra.

 

Fazendo jus a objetividade da consagração do ano da agricultura, com o lema: “agricultura como base decisiva e a indústria factor determinante”, em 1979 ano da formação de quadros, com base no histórico conforme acima referenciado, o Namibe Fala Verdade convidou o Advogado David Mendes, que viveu a época da década 70, para uma reflexão sobre a pretensão de Agostinho Neto no terceiro ano de governação, e último da sua vida.

O NFV convidou igualmente a Advogada Fernanda Domingas, para falar da formação de quadros na Huila, que no passado foi o centro da região sul com a denominação de “quinta região político-militar”, espaço Mwangolé do NFV, edição de quarta-feira 10 de Abril.

Para David Mendes, faltou algumas políticas para se poder materializar a visão de Agostinho Neto, Primeiro Presidente de Angola independente, segundo a qual, “agricultura é a base e a indústria factor decisivo”.

David Mendes, Advogado e jurista residente na província de Luanda

“Eu acho que faltou  políticas para se materializar esta visão de Agostinho Neto, porque não se vai combater a fome e tal como dizia o próprio Agostinho Neto, olhando para o porto, isto é, olhando para a importação.  As famílias, durante muitos anos de vicissitudes da guerra civil, devem viver de agricultura como fonte de alimentação tal como foi no passado”, frisou.

 

No domínio da indústria, o jurista disse que não é possível pensar numa indústria sem agricultura, como também não é possível pensar na indústria de forma genérica, como factor de desenvolvimento nacional sem a matéria prima para o funcionamento pleno da indústria, e esta por sua vez, também produz alegria e emprego aos cidadãos.

David Mendes, Advogado e jurista residente na província de Luanda

“Mas você não pode ter uma indústria desenvolvida, se a agricultura estiver atrasada não é possível garantir o bem estar social, importação tudo sai caro para o país”, explicou.

 

David Mendes, Advogado e jurista residente na província de Luanda

O estado não deve ter medo de investir na agricultura, David Mendes Advogou a necessidade de subvencionar o sector agrário. “Não devemos ter medo de subvencionar a agricultura. Eu sou contra a subvenção dos combustíveis nos transportes, mas a favor da subvenção na agricultura”, reforçou David Mendes.

 

No domínio da formação de quadros, reagiu dizendo:

David Mendes, Advogado e jurista residente na província de Luanda

“Nós vivemos um período em que quase não tínhamos quadros e como jurista digo isso com tanta certeza, eramos meia dúzia de advogados e o regime colonial, não prestou atenção na formação de quadros. “Hoje o quadro é diferente, hoje temos muito pessoal formado mas estes quadros estão abandonados. não há políticas de gestão de quadros, não há estratégia do estado para usar estes quadros. Sinto um desgosto quando vejo que o estado gastou muitos milhões para indivíduos que estudaram fora do país e quando voltam para Angola, o estado nem sabe que este estudante existe. Então, porquê é que o estado formou estas pessoas”, questionou.

“Mas vamos lá ver e não é xenofobia, parte de atividades básicas são ocupadas pelos estrangeiros, porque nos consultórios dos ministérios de finanças estão cheios de estrangeiros? Quantos angolanos deviam ser consultores? Hoje, quantos jovens têm pós graduação em varias áreas? Nós não podemos continuar a sentar, vamos dar vários exemplos, estamos a trazer vários médicos de várias nacionalidades e estes médicos especialistas ganham acima de 2 mil dólares, isto seria acima de 1 milhão de Kwanzas, porquê que não podemos pagar também um angolano 1 milhão de Kwanzas? Nós falamos da falta de quadros, quando há ali milhares de quadros abandonados.

David Mendes, Advogado e jurista residente na província de Luanda

As Universidades formam licenciados e os institutos formam técnicos superiores, também precisamos refletir sobre as políticas públicas da educação e do ensino superior, nós não conseguimos até hoje diferenciar uma universidade de um instituto. Eu não consigo encontrar explicação quando alguém vai me dizer que é licenciado em direito pelo instituto de …! Não! As faculdades de direito formam juristas e as faculdades de medicina, formam licenciados em medicina. No instituto a pessoa vai para fazer curso de especialidade técnica, exemplo quem faz direito militar vai num instituto ele não é licenciado em direito, ele é apenas especialista em direito militar. Quem vai fazer advocacia por exemplo tem que ser licenciado em direito tem que ser jurista e depois fazer um estágio habilitacional para obter a carteira de advogado”.

 

 

Alexandrina Domingos, Advogada e docente residente na província da Huila

Já a advogada Alexandrina Domingos, disse que a Huíla sempre foi uma província académica e matem está hegemônia, fazendo lembrar que boa parte dos quadros nos vários sectores da vida pública na região sul de Angola, foram formados no Lubango na Universidade Mandume Ya Ndemufayo, mas fez lembrar que para termos bons quadros que vem das universidades, precisamos ter maior cuidado com a qualidade na formação primária e secundária.

A sociedade está a lutar para que haja também o perfil do aluno, advogada Alexandra Domingos que também é docente, fez lembrar que os pais e encarregados de educação no ensino primário e secundário, devem caminhar junto com as escolas aonde estudam os filhos, para que se atinja objectivos preconizados.

O ensino primário e secundário bem feito é meio caminho andado no ensino superior, concluiu.

 

Confira o Video acessando o link: https://www.facebook.com/namibefalaverdade/videos/1102537237673948

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